Solidez de verdade: Qual é a meta da sua empresa?

Vivemos um momento em que o empreendedorismo tem sido estimulado pela mídia e pelos‘grandes pensadores’ da atualidade. Isso é bom porque estimula a criação de empregos e a inovação, portanto, vamos empreender. o/

Eu acho, porém, que algo está faltando neste discurso de estímulo ao empreendedorismo. Falta solidez. Falta uma boa e generosa noção de realidade. Falta ensinar aos empreendedores mais novos o elemento principal para a sobrevivência de uma empresa.

Como uma empresa sobrevive?

Não importa o tipo de empresa que você criou. Não importa o tipo de serviço que você presta ou o produto que você vende. Uma coisa é certa: sua empresa precisa gerar lucro. Lucro hoje e no futuro.

Ter um ideal maior por trás de um negócio é louvável e bonito. A vida é muito mais do que um maço de dinheiro. Eu apoio fortemente a ideia de que as empresas precisam servir a sociedade e questão mais profundas do que as questão financeiras. Ajudar no consumo sustentável dos recursos naturais, melhorar o transito, acabar com a fome nos países mais pobres, levar educação de qualidade para quem não tem, enfim… há muitas causas nobres pelas quais podemos zelar na empresa. Seja qual for a sua causa nobre, sua empresa só poderá ajudar se sobreviver, e para sobreviver precisa de lucro.

Lucro para começar

Ao pensar em abrir uma empresa ou mesmo depois de abrir uma, pergunte-se frequentemente: Essa empresa tem os elementos necessários para gerar receitas? A qual custo? Teremos lucro? Não defendo aqui que você deva fazer um plano de lucros muito detalhado. Sei que, em muitos casos, não dá pra prever a situação, mas não é por isso que vamos deixar de buscar previsões. Devemos definir metas claras para o faturamento de uma empresa e metas de gastos. Isso vai servir para gerar aprendizado e solidez para a sua empresa. Vai te permitir dormir a noite. Vai dar mais tempo de atuação no mercado.

As startups

Assim como qualquer outra empresa, as startups também precisam de lucro. O que acontece é que há muita literatura por aí defendendo a ideia de que startups não precisam se preocupar com lucro para começar suas atividades. Vende-se por aí que basta conseguir um bom investidor e o sucesso estará bem encaminhado. Basta observarmos o mercado que veremos que não é bem assim.

O Twitter

Vamos ao caso do Twitter, que muitos dizem estar morrendo. Lembro de ter participado de uma discussão interessante sobre monetização em 2009, com alguns funcionários do Twitter. Eles alegavam que o Twitter não precisava se preocupar com finanças. Ele estava vivendo de investimentos e que dinheiro não era um problema. Queriam apenas aumentar os números de usuários e acessos.

De fato, com dinheiro alheio, o Twitter cresceu muito. Atingiu mais de 175 milhões de usuários em 2011. Desses 175 milhões, 90 milhões não possuíam nenhum seguidor e 56 milhões não seguiam nenhum outro usuário. Por isso, há quem diga que o twitter está morrendo. Cerca de 40% dos usuário do twitter nunca enviaram um único tweet. Pergunto-me quantos porcento são contas de um mesmo dono, quantos outros porcento são contas que deixaram de ser usadas?

Hoje, 2013, vi algumas estatísticas de que o twitter possui 500 milhões de usuários e que 200 milhões são ativos. Porém, hoje, quando eu entro em minha conta no Twitter, vejo muitas empresas postando coisas, bem menos pessoas. Isso é reflexo da monetização do Twitter. Acho que a rede social só não morreu em 2011 porque decidiu finalmente se monetizar. Qual será o ônus e a quantidade de dinheiro necessária para trazer um Twitter até onde está? Espero que a monetização não tenha chegado tarde demais.

Facebook: apenas 15 minutos de fama?

Não é novidade como o Facebook nasceu, fizeram até um filme sobre isso, que é muito interessante. Havia um sócio brasileiro interessado em monetizar desde o início. Ele havia investido o dinheiro. E havia o sócio nerd que queria ver o produto crescer e revolucionar o mundo. Do meu ponto de vista, acho que o Facebook é uma evolução do Orkut (que Deus o tenha).

Independente disso, o Facebook de fato atingiu números astronômicos em pouco tempo. Hoje, em 2013, estima-se que a rede social tenha mais de 1 bilhão de usuários. Em 2011, eram 900 milhões. O crescimento foi de aproximadamente 200 milhões de usuários, ou 22%, em dois anos. Quantas dessas contas são duplicadas? Vejo o tempo todo as pessoas ‘saindo’ e ‘voltando’ ao Facebook com contas novas a cada vez que mudam de relacionamento.

De qualquer forma, o foco aqui é financeiro. Bastou que a empresa realizasse uma IPO (Initial Public Offering) e esperar dois dias para perder 2 bilhões de dólares, prejuízo que se acumulou nas semanas subsequentes. Isso aconteceu simplesmente porque o mercado não enxergava solidez no Facebook.

Há pouco tempo acabei de ler um livro muito interessante chamado Adeus, Facebook que já prevê dentre outras coisas a morte desta rede social, vale a leitura. Se o Facebook morrerá mesmo ou não, eu não sei, mas o fato é que não há credibilidade financeira na empresa. O sucesso foi grande, mas se essa previsão se consolidar, terá sido curto. Na história, será apenas um site que teve seus 15 minutos de fama.

Solidez deve ser conquistada

Além do Facebook e do Twitter, existem outras empresas que não se preocuparam com lucro em suas atividades. Outros dois exemplos são o Yahoo! e Groupon, que também passaram por sérias dificuldades financeiras, e já tiveram a morte prevista.

Se você quer criar uma empresa sólida e que deixe um legado real para o mundo, você precisa pensar no lucro. Este deverá ser seu foco em algum momento da vida empresarial. É um caminho mais demorado e exige muita persistência, mas que vai te levar a uma solidez inquestionável quando você crescer.

É muito fácil gastar o dinheiro dos outros, por isso, dinheiro proveniente de investidores gera pouco crescimento, poucas cicatrizes, resultando em uma empresa menos madura e com menos credibilidade no mercado. Um bom exemplo de empresa que cresceu e conquistou seu lugar no mercado é a 37 Signals. Eles são contra o investimento como base principal de uma startup. São a favor de gerar receitas de forma contínua. Crescimento controlado e pensado. Sem falsas ilusões.

Conquiste sua solidez com bons resultados, clientes satisfeitos e serviços que de fato agregam valor. Tocar uma empresa sem esse princípio, faz dela um simples hobby.