Crafters Studio

Você não leva jeito para empreendedor

Vinicius Quaiato

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Vinicius Quaiato

Muito se fala hoje sobre empreender, virou moda. O quão bacana é poder ter seu próprio negócio, livrar-se do patrão, até demitir a empresa na qual trabalha. De fato tudo isso é bem interessante e chamativo porém me parece que pouco se fala sobre um dos detalhes mais importantes neste processo de empreender: o empreendedor.

Quem não é 'o empreendedor'?

falamos um pouco sobre alguns motivos para não empreender, e isso está bem ligado com o perfil do empreendedor. Saber reconhecer e identificar estes pontos (bem como mais alguns outros) faz parte de entender (ou não) o perfil de um empreendedor.

Muitos de nós temos alguns medos/restrições com relação a determinadas situações. Estas restrições moldam nossas ações, nos fazem pensar como pensamos, e agir como agimos: um conjunto de características e crenças que juntos moldam e definem nossas personalidades.

O medo do risco

É bastante comum termos medo e aversão de situações arriscadas. Trocar de emprego, pegar um caminho desconhecido quando estamos atrasados para uma reunião, preparar exaustivamente uma apresentação de negócios, não contrair dívidas sem uma estabilidade financeira, etc. Faz parte de nosso instinto fugir de situações que representem riscos: queremos sempre sobreviver, da maneira mais confortável possível.

A falta de envolvimento

É bem comum termos apenas uma relação superficial, casual, com a maioria das coisas que fazemos. Talvez pela correria do dia a dia ou pela simples mecânica da coisa, apenas executamos tarefas, de uma forma automática. Fazemos aquilo que precisamos, da forma como precisamos (e sempre da maneira mais comoda possível). Muitas vezes até aquilo que gostamos fazemos desta forma: não queremos acordar cedo para jogar futebol, ou brincar com nossos filhos, ou ir dormir tarde pois lemos um livro. Fazemos quando der, e como der.

Uma visão limitada

Geralmente por não aceitarmos situações de risco e não nos envolvermos muito nas nossas atuações é que acabamos tendo uma visão bem simples e superficial sobre muitas coisas. É muito comum, no trânsito por exemplo, pensarmos coisas do tipo:

Mas quem foi o idiota que colocou essa placa/sinal/faixa/bloqueio/obra aqui?

O quanto de fato temos uma visão apurada e abrangente sobre engenharia de tráfego, vias, etc? Dificilmente nestas situações nos propomos a encontrar melhorias ou novas soluções, ao contrário nós nos focamos apenas no aparente problema.

Sejamos honestos agora e paremos para pensar e entender o quanto destes pontos acima nós não temos e vivemos diariamente. O quanto disso não é o que de fato muitos de nós somos.

Quem é o empreendedor?

É claro que existem diferentes perfis de pessoas que empreendem. São pessoas, e desta forma possuem qualidades e características únicas, mas é possível compreender e visualizar quais características muitas delas possuem em comum.

Empreendedores aceitam risco

É claro que não se aceita todo e qualquer risco, mas o empreendedor reconhece que situações de risco não são para ser evitadas a todo custo. Riscos mostram oportunidades:

Aceita-se estas condições de risco de uma maneira consciente e lúcida: sabe-se bem o que está acontecendo, as razões por detrás disso. Deve-se conseguir lidar bem e de forma natural com estas situações.

Risco não tem a ver com risco financeiro (ou pelo menos não apenas com isso). Não tem a ver com contratar alguém que não se pode pagar na esperança de que algo dê certo: é preciso saber compreender essas diferenças.

Uma vida apaixonada

Só é possível criar algo se você tiver paixão. Não pense em paixão como sendo algo romântico, ou juvenil. A paixão é o combustível que deve mover o empreendedor. E muitos podem ser os objetos de paixão: inovar, fazer dinheiro, superar desafios, colaborar, compartilhar, etc, etc,etc. Independente do objeto ela deve existir. Não acredito que seja possível focar em um objeto sem ter paixão, isto se tornará apenas um motivo cego tentando guiá-lo.

Visão diferenciada

E quando conseguimos juntar estes aspectos acima conseguimos encontrar pessoas com uma visão realmente além da maioria: visionários. Inovação nem sempre é criar algo "novo". Nem sempre significa "criar a lâmpada" ou "escrever sobre o heliocentrismo".

Criar algo novo tampouco está ligado com simplesmente "criar mais uma vez aquela mesma coisa apenas com 'um foco diferente'". Isso pode dar certo, pode até dar dinheiro, mas isso não é empreender, e não faz de você empreendedor. Algo novo é transformar o meio, apresentar formas diferentes para um mundo cada vez mais dinâmico e transformado.

Finalizando

Isso tudo não quer dizer que você não possa ou não deva empreender. É apenas uma forma de mostrar quais pontos você deve trabalhar em sua personalidade e em suas ações para potencializar o tempo e a energia que você investirá. Você pode e deve se preparar para empreender. Seu trabalho deve estar de acordo, ou deve aceitar, uma série de situações, e para tirar o melhor proveito de tudo é bom começar a trabalhar em alguns pontos a serem melhorados.