"Nunca antes na história desse país" se falou tanto em Startup. Isso tem uma série de pontos positivos, mas também, trás uma gama de importantes pontos de atenção. Um dos meus principais pontos de preocupação em toda essa onda é: Hoje, qualquer moleque com um site ESTÚPIDO, diz que tem uma STARTUP.
Na essência, isso poderia não ser um problema, contudo, tenho visto uma série de “iniciativas” sem propósito e sem uma mínima estratégia de negócio que sequer seria capaz de suportar o primeiro mês de prejuízo da startup. Por muitas vezes, a motivação por trás dessas iniciativas é a mesma de garotos mimados que querem “lutar contra o sistema” ou então que agem como verdadeiros “riquinhos com consciência empreendedora”.
Isso faz com que seja comum que muitos desses garotos mimados, estejam motivados por pensamentos como: “Vou empreender, pois quero uma vida de sombra e água fresca”, ou então “Não suporto trabalhar como empregado”, ou ainda, “Não nasci para ter um chefe”, ou pior, “quero ser meu próprio patrão, pois quero trabalhar a hora que quiser".
Na minha percepção, não acho que esses motivos sejam ruins, porém, por minha experiência como empreendedor, vejo que muitos desses motivos não se mantêm como sólidos e principalmente, não geram a força necessária para que o empreendedor suplante os diversos desafios e desprazeres de ter um negócio.
Já escrevi em outro momento, que para empreender é preciso que a pessoa esteja disposta a desenvolver sua musculatura emocional. O significado de musculatura emocional consiste em uma pessoa desenvolver a resistência psicológica necessária para tomar decisões importantes, levar porradas de clientes, levar tombos financeiros, trabalhar feito um condenado sem ter limites de tempo, abrir mão de seu conforto familiar por um tempo, e principalmente, desagradar muitas pessoas durante todo o seu caminho.
Na prática, essas iniciativas sem propósito ocasionam diversos erros na condução de um negócio. Um dos típicos erros que identifico, é que vejo que muitas pessoas focam apenas no produto em suas startups, mas se esquecem de pensar ou modelar sua estratégia de negócio para rentabilizar o produto. Modelar uma estratégia de negócio vai muito mais além do que simplesmente pensar em como criar um produto/serviço que os clientes estejam dispostos a pagar, mas sim, modelar uma estratégia de negócio significa criar uma verdadeira arquitetura de negócios, que seja capaz de gerar rentabilidade e liquidez sobre qualquer valor que o cliente pague, seja esse valor grande ou pequeno.
Pode parecer cruel ou piegas, mas infellizmente, a maioria das pessoas só percebem e compreendem essas coisas depois uma certa idade e depois muito quebrar a cara em várias de suas crenças da juventude.
Mas nem tudo é ruim, na verdade, o fato de startup ser coisa de moleque pode ser bom. Eu mesmo, por volta dos meus 15 anos, literalmente já tive minha fase de moleque que cria startups (que falharam de forma homérica). Essas experiências foram divertidas e principalmente, contribuíram para um aprendizado singular como experiência de vida e profissional. Portanto, é saudável que os moleques vejam que uma startup pode ser uma boa maneira de amadurecer, mesmo que elas falhem.
E aos que não pensam em criar uma startup, não se preocupem em ficar fora do modismo. Não tenham medo, pois trabalhar como um "funcionário" para alguém, não é necessariamente uma relação de escravidão. Na verdade, você pode fazer com que sua fase como funcionário seja uma rica experiência para aprender elementos que contribuirão para o seu amadurecimento profissional e pessoal.
Um ponto favorável para os moleques é que, se existe uma época boa para quebrar a cara, é quando se é moleque. Os moleques podem ter um vigor maior para cair e se levantar. Os erros dos moleques normalmente impactam poucas pessoas. Esse último ponto é o que eu considero com sendo a principal restrição que determina o quanto você tem margem para errar em suas experiências como empreendedor, pois uma coisa é você errar e saber que esse erro não impactará a vida de ninguém e outra coisa, totalmente diferente, é você errar e saber que isso pode impactar a vida de filhos, familiares e qualquer outra pessoa ligada a você.
É importante que todo pretendente a empreendedor faça esse tipo de reflexão, de forma que consiga tomar decisões com consciência e não apenas por influência da “moda” de criar startups. Ser um moleque empreendedor não tem nada a ver com idade, mas sim, tem a ver com a maneira como você encara os desafios da vida. Na prática, empreeder como um moleque pode ser algo extremamente bom ou extremamente ruim. Se o ato de empreender for tratado de forma irresponsável e sem uma visão maior de propósito, então empreender poder ser uma experiência bastante dolorosa para o moleque empreendedor. Mas se empreender for algo tratado de forma responsável e principalmente, baseado numa visão sistêmica de causas, consequências e propósitos, então empreender pode ser uma experiência rica e com chances reais de sucesso e longevidade, mesmo para um moleque.
